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O Projeto Completo como redutor de custos em estruturas de concreto - Egydio Hervé Neto

A Nova Engenharia do Concreto - Egydio Hervé Neto

Estruturas de Concreto Armado – A Proteção do Aço pelo Concreto - Egydio Hervé Neto

A Sociedade e a Engenharia - Antonio Sá Fernandes Palmeira

As ISO 9000 e a qualidade nas construções - Egydio Hervé Neto

Controle Tecnológico: parte do Projeto de Estruturas - Egydio Hervé Neto

Indústria da Construção - Egydio Hervé Neto

Obras de Concreto Comprometidas com a Durabilidade - Egydio Hervé Neto

                                                        Lucro é Progresso - Paulo Roberto Vilela Dias, MsC

O Projeto Completo como redutor de custos em Estruturas de Concreto

Egydio Hervé Neto[i] (Nov/2006) 

        Este trabalho procura demonstrar que é possível, de forma evidente e imediata, comprovar as vantagens de realizar-se um Projeto Estrutural Completo, que compreenda todo o escopo das Novas Normas de Concreto - notadamente a NBR6118:2003, a NBR 12655:2005 e a NBR 14931:2003 - obtendo como resultado uma economia significativa no custo das estruturas, que paga, com sobras, o aumento do custo do projeto resultante, em relação ao escopo habitualmente praticado, onde o serviço está focado apenas no cálculo da estrutura, no estágio pronta e carregada (28 dias).

    O novo e atual escopo preconizado pela Normalização da ABNT compreende aspectos executivos importantes, lamentavelmente não aplicados ainda pelo Cálculo usual, e que pode ser resumido pela verificação das exigências de alguns itens das Normas, como os apresentados a seguir:

  1. NBR 12655:2005, item 4.2 Profissional Responsável pelo Projeto Estrutural: "Cabem a este profissional as seguintes responsabilidades, a serem explicitadas nos contratos e em todos os desenhos e memórias que descrevem o projeto tecnicamente, com remissão explícita para determinado desenho ou folha de memória:

a) registro da resistência característica à compressão do concreto, fck, obrigatória em todos os desenhos e memórias que descrevem o projeto tecnicamente;

b) especificação de fcj para as etapas construtivas, como retirada de cimbramento, aplicação de protensão ou manuseio de pré-moldados;

c)...;

d) especificação dos requisitos correspondentes às propriedades especiais dos concretos, durante a fase construtiva e vida útil da estrutura, tais como:

    1. módulo de deformação mínimo na idade de desforma, movimentação de elementos pré-moldados ou aplicação de protensão; - ...;"

2. NBR 6118:2003, item 5.2.3 Documentação da solução adotada, sub item 5.2.3.3 "O projeto estrutural deve proporcionar as informações  necessárias para a execução da estrutura."

3. NBR 14931:2003, dois últimos parágrafos do item 10.2.2 Tempo de permanência de escoramentos e fôrmas: "A retirada das fôrmas e do escoramento só pode ser feita quando o concreto estiver suficientemente endurecido para resistir às ações que sobre ele atuarem e não conduzir a deformações inaceitáveis, tendo em vista o baixo valor do módulo de elasticidade do concreto (Eci) e a maior probabilidade de grande deformação diferida no tempo quando o concreto é solicitado com pouca idade. Para o atendimento dessas condições, o responsável pelo projeto da estrutura deve informar ao responsável pela execução da obra os valores mínimos de resistência à compressão e módulo de elasticidade que devem ser obedecidos concomitantemente para a retirada das fôrmas e do escoramento, bem como a necessidade de um plano particular (seqüência de operações) de retirada do escoramento."

        O escopo resultante dessas exigências da Norma demonstra a necessidade de que o Projeto Estrutural tenha um caráter nitidamente executivo, envolvendo a aprovação do sistema de movimentação do escoramento, em respeito a valores de fck e Ec obrigatoriamente fornecidos pelo Projeto para idades onde esta movimentação se dará para atendimento do cronograma executivo. Deixa claro também que caberá ao Responsável pela Execução comprovar o atendimento a esses valores antes de movimentar os escoramentos ou quaisquer outras ações que impliquem em carregamentos precoces (<28 dias), o que significa ter os resultados de controle em mãos neste dia, para comprovar a conformidade.

        A necessidade de introduzir resultados do concreto anteriores a 28 dias faz com que o Projetista Estrutural seja algo mais do que um único profissional de Cálculo, como ainda é usual, pois envolve interação de necessidades nas áreas da Arquitetura, da Tecnologia do Concreto, do Cálculo e Metodologia do Escoramento e Desforma, situações que exigem complementaridades técnicas e econômicas necessárias à abrangência do Projeto e sua Execução.

        Desta forma fica clara hoje - e está explícito nas Normas Brasileiras - a constituição multidisciplinar da Equipe de Projeto Estrutural, envolvendo a participação do Arquiteto, do Calculista, do Engenheiro Tecnologista do Concreto, e outras especialidades necessárias à elaboração de um Projeto Executivo, cujo escopo é muito maior do que o que se vem fazendo até o momento.

        Tal constatação tem trazido reações por parte dos profissionais, tanto dos Contratantes, que reclamam do possível aumento dos custos das obras, como dos profissionais do Cálculo, os quais, por serem contratados de forma isolada, como é costume, queixam-se, com justiça, dos preços atuais, incapazes de cobrir todas as competências envolvidas, inclusive sub-contratação de outros profissionais especializados, para complementar os conhecimentos exigidos, além da natural preocupação com a maior abrangência da Responsabilidade Técnica resultante.

        Na verdade as Normas não se dedicam a descer ao detalhe sobre a questão das Responsabilida des Técnicas envolvidas, mas isto não é necessário. Bastaria a compreensão de que, havendo múltiplas áreas de abrangência no Projeto, cada profissional pertencente à Equipe assumirá a sua parte, e descrever claramente estas responsabilidades em cada contrato dos serviços.

        O que se deseja, diante deste estado de coisas é que o cumprimento dessas exigências possa trazer melhoras significativas à qualidade do Projeto, com reflexos na qualidade da Construção. O difícil é deixar isto claro para nossos Clientes, nossos contratantes, que certamente vão reclamar de um acréscimo de preço de Projeto - embora certamente também, vão querer e exigir toda esta qualidade em suas obras quando devidamente informados.

        Em busca de uma argumentação válida para viabilizar a implementação destes novos procedimentos sem perdas, ao contrário, para que todos ganhem com esta melhoria, reuni algumas informações que podem demonstrar que esta vantagem econômica é sistêmica e amplamente favorável aos nossos Clientes, como se verá a seguir.

        A ABECE, através de seu "Grupo de trabalho de honorários" estabeleceu e divulgou o trabalho denominado "Honorários de referência de projetos de estruturas", dado a público em meados deste ano de 2006. Neste trabalho apresenta critérios para a precificação de Projetos Estruturais e ilustra com 3 exemplos de obras de diferentes constituições, para as quais deduz os preços sugeridos por esses critérios:

Ex.

Área total de Prefeitura (m2)

CUB de referência[1]

Custo estimado para a obra

Preço sugerido para o Projeto Estrutural

Incidência % Proj/Obra

1

6.000,00

R$ 882,36

R$ 5.294.160,00

R$ 37.560,00

0,71%

2

35.000,00

R$ 30.882.600,00

R$ 379.750,00

1,23%

3

17.000,00

R$ 15.000.120,00

R$ 68.860,00

0,46%

        Analisando as exigências das Normas - acima apresentadas - deduzimos algumas intervenções adicionais ao escopo de Projeto proposto pela ABESC, conforme relatamos a seguir:                                                                                            

·        Tecnologista de concreto: especificação do concreto; programa de controle;                                                                   

·        Arquiteto: maior participação na definição da geometria das peças em função das novas exigências dimensionais nas Normas;

·        Aprovação do Projeto de Formas e da seqüência executiva de retirada de escoramentos e formas;

·        Maior integração das equipes de Projeto com os Projetos Complementares e com os fornecedores e aplicadores dos materiais e serviços.

        Importa considerar a necessidade de acrescentar custos de novas atividades da Equipe de Projeto na fase de Execução, que devem ser atribuídas ao desdobramento das novas exigências do Projeto, dentro da visão de que hoje cabe a essa Equipe fazer acontecer o Projeto na obra:

·        Aprovação do Laboratório de Controle;

·        Liberação de formas;

·        Suporte à implantação dos projetos complementares na obra.

        Tendo em vista estas considerações, na falta de um critério para quantificá-las vamos considerar grosseiramente um incremento de 100% sobre os custos de Projeto, aplicando ao preço total esse porcentual, donde resultam os seguintes preços nos Projetos exemplificados:      

Exemplo

Área total de Prefeitura (m2)

Preço sugerido para o Projeto Estrutural

1

6.000,00

R$ 75.120,00

2

35.000,00

R$ 759.500,00

3

17.000,00

R$ 137.720,00

        Este incremento significativo em preços diretos e indiretos, ligados à melhoria do Projeto, importa em            vantagens para a construção, reconhecidamente no longo prazo, onde a maior Garantia da Qualidade resulta certamente em menores custos de conservação e reparos, além da maior durabilidade da estrutura, e ainda em maior valorização patrimonial e mercadológica, e um menor custo de amortização.

        Entretanto estas vantagens, embora reconhecidas, não favorecem o impacto no desembolso inicial, o qual deverá ser avaliado sob outras circunstâncias que apresentamos a seguir, tomando por base as            considerações do Engenheiro Walid Yázigi em seu Livro "A Arte de Edificar", que em seu Capítulo 3 apresenta informações bem fundamentadas sobre a questão da qualidade e do desperdício nas construções, resumidas inicialmente na seguinte Tabela, que toma por base porcentagens de custo relativo, das partes da obra sobre o custo total, amplamente divulgadas pela Editora PINI em sua Revista "Construção":                                                                                                                                              

Etapa construtiva

% Custo

Possibilidade de desperdício

Justificativa das etapas de desperdícios pequenos ou inexistentes

01

Serviços Preliminares

0,59

Pequena

Trata-se de serviços de instalação de canteiro e ligações provisórias. Obedecem ao projeto de canteiro.

02

Infra e superestrutura

31,16

Sim

 

03

Vedação

3,10

Sim

 

04

Esquadrias de madeira e metálicas

13,36

Pequena

Adquire-se exatamente o que está especificado

05

Instalações elétricas e hidráulicas

17,25

Pequena

Adquirem-se e aplicam-se de acordo com o projeto

06

Forros

0,16

Sim

 

07

Impermeabilização

1,21

Pequena

Aplica-se de acordo com o projeto

08

Revestimentos de Tetos e Paredes

10,69

Pequena

 

09

Pisos Internos

4,48

Sim

 

10

Vidros

3,34

Pequena

Aplicam-se de acordo com os vãos

11

Pintura

3,57

Pequena

Aplica-se de acordo com a especificação, nas paredes e tetos acabados

12

Serviços Complementares

3,83

Não há

Trata-se de serviços de arremate, limpeza, etc. (como o próprio nome diz, são complementos)

13

Elevadores

7,26

Não há

Adquirem-se exatamente de acordo com o especificado no projeto

Soma

 

100,00

 

 

        Os itens destacados, que consideram a possibilidade de desperdício, representam 49,59% do custo da obra e o Autor faz a seguinte observação sobre os mesmos:                                                                                   

        "Neste item, tenta-se determinar as origens dos desperdícios, bem como o porcentual de desperdício sobre cada etapa construtiva, em uma obra com controle de qualidade ruim, bom ou rigoroso, de conformidade com o quadro a seguir:"

Etapa Construtiva

Desperdícios possíveis

% de desperdícios sobre cada etapa, com controle

ruim

bom

rigoroso

Infra/Superestrutura

Por motivo de má execução (abertura de fôrmas, desnivelamento, corte de aço, etc.)

8

5

3

Vedação

Por motivo de má qualidade tanto de material como de execução

30

20

10

Forros

Por motivos entre diferenças de vãos e módulos dos materiais

20

10

5

Revestimento de Tetos e paredes

Essa etapa, tendo de absorver a má execução do item 03 (vedação) é constituída de: Preparação: de superfícies, que representa 42% da etapa; Aplicação: dos revestimentos, que representa 58% da etapa. No item preparação, dependendo do controle da qualidade, os desperdícios podem atingir 75%, 50% e 25%, calculados sobre o custo total da etapa.

31,5

21

10,5

Pisos Internos

Essa etapa segue o descrito no item acima, sendo certo que a preparação representa 35% do custo da etapa

26,25

17,5

8,75

        Às razões apresentadas pelo Autor temos a acrescentar que ficaram claras, no dimensionamento pela NBR 6118:2003, a influência do descontrole sobre a desforma precoce, que gera deformações e fissurações acentuadas nas estruturas, trazendo esforços e patologias adicionais às vedações e esquadrias, além de desacertos de nivelamento que encarecem os acabamentos de forma mais que proporcionais, cargas adicionais às peças e às fundações, e danos às instalações embutidas.                                                                                      

        Com base nos dados apresentados o Autor acrescenta a seguinte Tabela de desperdício sobre o custo da construção:                                                              

Etapa Construtiva

% do Custo Total

% de desperdícios sobre cada etapa, com controle

ruim

bom

rigoroso

Infra/Superestrutura

31,16

2,49

1,35

0,93

Vedação

3,10

0,93

0,62

0,03

Forros

0,16

0,03

0,1

0

Revestimento de Tetos e paredes

1,69

3,36

2,24

1,12

Pisos Internos

4,48

1,17

0,78

0,39

Total

40,59

7,98

5,09

2,47

        Aplicando os porcentuais apresentados na última linha (Total) ao Custo da Construção, obtido nos exemplos de obras fornecidos pelo trabalho da ABECE, obtemos a seguinte Tabela, que compara os custos dos desperdícios em relação ao Preço de Projeto sugerido para escopo completo das Normas Brasileiras:  

Ex.

Custo Estimado da obra

Desperdício considerado para controle

Preço Projeto

 

 

ruim

bom

rigoroso

1

R$ 5.294.160,00

R$ 422.473,97

R$ 269.472,74

R$ 130.765,75

R$ 75.120,00

2

R$ 30.882.600,00

R$ 2.464.431,48

R$ 1.571.924,34

R$ 762.800,22

R$ 759.500,00

3

R$ 15.000.120,00

R$ 1.197.009,58

R$ 763.506,11

R$ 370.502,96

R$ 137.720,00

        A conclusão a que se chega é que um hipotético aumento dos custos dos Projetos para o dobro, de modo a contemplar o escopo das Normas Brasileiras atuais, consideradas rigorosas, terá como recompensa uma maior chance de conquistar um status de eliminação de desperdício sempre maior do que o preço final deste Projeto, representando, de forma evidente e objetiva, que há vantagem imediata na aplicação do escopo total de Projeto, como descrito nas Normas.     

        Além disso, as considerações de custo final de longo prazo continuam válidas, favorecendo este raciocínio, ao proporcionarem vantagens econômicas significativas a longo prazo, especialmente quando se tratam de custos de manutenção e reparos, que chegam a custar 25 vezes mais quando detectados somente depois da obra executada, o que seria evitado com Projeto completo.         

    A Tabela final deste trabalho apresenta considerações ainda mais importantes e objetivas:                                                                                            

Custos

Exemplo 1

Exemplo 2

Exemplo 3

Custo da obra + desperdício (maior) + Projeto atual

R$ 5.754.193,97

R$ 33.726.781,48

R$ 16.265.989,58

Custo da obra + desperdício (menor) + Projeto Completo

R$ 5.500.045,75

R$ 32.404.900,22

R$ 15.508.342,96

Redução de Custo

R$ 254.148,22

R$ 1.321.881,26

R$ 757.646,61

Economia %

4%

4%

5%

        Nos 3 exemplos considerados, a aplicação de um Escopo Completo no Projeto, de modo a garantir a perda mínima considerada, gerou uma economia aproximada de 4 a 5% sobre o valor da obra.

        Como última conclusão pode-se afirmar que ainda resta a enorme vantagem para a valorização do preço de venda do imóvel, sabendo-se que uma obra realizada com o máximo padrão de qualidade terá um melhor Preço de Venda no Mercado, aumentando significativamente o Lucro do Construtor.

[1] SINDUSCON-SP Dez/2004

[i] Diretor da Ventuscore Soluções em Concreto, de Porto Alegre/RS – www.ventuscore.com.br

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A Nova Engenharia do Concreto

Egydio Hervé Neto (SP, 29/08/2002)

 A realidade do concreto mudou. Mudou nas características do material disponíveis para projeto, mudou na forma de executar concretagens.

Sempre foi necessário planejar, claro, isto é inerente à construção. Sempre foi necessário cotejar alternativas técnicas e para isto sempre foi imprescindível apoio em custos para verificação de viabilidade econômica.

Mas hoje os valores são outros. Quando se trata de decisões sobre resistências fck = 35 Mpa (ou 70 ou mais de 100 MPa, disponíveis no Brasil) há espaço para análises que podem envolver diferenças significativas, tanto em segurança quanto em durabilidade, quanto em custo.

A Europa e a América contabilizaram seus custos de manutenção em estruturas de concreto em um passado recente e concluíram pela adoção de novos procedimentos tecnológicos centrados em DURABILIDADE. Não por acaso partiram para a adoção de procedimentos tecnológicos que conduziram à redução da relação água/cimento. Estudos realizados no exterior, concluíram pela necessidade de redução da água total nos traços do concreto, como forma de reduzir a fissuração e a deformabilidade conseqüente, apontadas como responsáveis pela pouca durabilidade e patologias.

No Brasil a nova NB-1 aponta para a redução da relação água/cimento, também focando a durabilidade. Os caminhos percorridos por estes estudos passam pela melhoria dos cimentos e, unanimemente, a comunidade mundial, aproveitou esta melhoria na redução de consumos de cimento por metro cúbico do concreto, em busca de um menor custo, acreditando que a resistência era um parâmetro suficiente a atender.

Havia um certo orgulho em dizer que se conseguira uma redução de consumo de 1 saco de cimento! E nesta época todos concordaram que este era realmente um grande feito. Mas as conseqüências danosas logo demonstraram o desacerto desses procedimentos. A conclusão natural, adotada nos países desenvolvidos foi a manutenção de consumos elevados pela constatação de que o cimento em maior quantidade, mais do que resistência, é o material responsável pela maior compacidade, menor deformabilidade e portanto pela durabilidade das estruturas de concreto.

Como conseqüência da volta aos consumos de cimento anteriores surgiram as resistências elevadas que, num primeiro momento, pareciam um preço a pagar pela durabilidade e melhor desempenho das estruturas - posto que o preço direto do concreto era maior. Entretanto as maiores resistências trouxeram alterações significativas no material concreto. A possibilidade de formas mais esbeltas, menor  área de forma, redução de taxa de aço, foram aproveitados de maneira cada vez mais aperfeiçoada e a redução de custos indiretos - menor custo do sistema - obtida comprovou amplamente a viabilidade econômica resultante da adoção de resistências mais elevadas.

O uso cada vez mais intenso de computadores permitiu a verificação de hipóteses alternativas para contornar as possíveis deformações proporcionadas pela menor rigidez das formas esbeltas obtidas e alternativas como lajes nervuradas, lajes protendidas, lajes espessas sem vigas, núcleos de edificações com paredes inteiras de concreto atuando estrategicamente na limitação dos deslocamentos, tudo isto contribuiu para o aproveitamento das elevadas resistência na redução de custos e manutenção da estabilidade global das estruturas.

Deste momento surgiu a maior atenção com o módulo de elasticidade do concreto, grandeza que mede o comportamento elástico do concreto no conjunto estrutural. Cada vez mais importante para o controle das deformações, e crescendo na estrutura com a idade do concreto, o módulo de elasticidade passou a fazer parte do planejamento das edificações quanto a aplicação de cargas em todos os momentos da construção, como na aplicação de protensão parcial e final, retirada de formas e cimbramentos, reescoramentos, sobrecargas, ocupação e uso das obras.

A possibilidade de redução de custos de manutenção sempre foi uma busca importante por parte dos responsáveis por obras públicas ou particulares. Independentemente do que é responsabilidade dos usuários, mas principalmente pelo que cabe ao construtor, voltar à obra para realizar manutenção é sempre indesejável, demandando trabalho especializado e dispendioso, além dos transtornos aos usuários e desgaste de imagem. O comportamento dos concretos de elevada resistência na redução de patologias foi logo constatado. Novos estudos proporcionaram o aperfeiçoamento da mistura na direção de maior compacidade, menor porosidade superficial, cobrimento adequado do aço com benefícios apreciáveis.

Surgiram então as adições ao cimento ou ao concreto, como materiais capazes de melhorar significativamente o desempenho dos concretos de elevada resistência. Tratando-se de produtos granulosos, sempre pós muito finos  - como as pozolanas, fly ash, escória moída de alto-forno, sílica ativa e outros - estes materiais exigiam maiores consumos de água e um trabalho de ajuste para manter as misturas trabalháveis e consistentes - sem segregar ou exsudar - proporcionando o seu melhor adensamento.

Embora já houvessem os aditivos plastificantes, redutores de água, incorporadores de ar, a independência em relação à água para garantia de trabalhabilidade adequada dos concretos - especialmente os muito compactos - só se completou recentemente com a disponibilidade e maior conhecimento sobre o uso de aditivos superplastificantes, produtos capazes de elevar a plasticidade de um concreto a níveis de auto-adensamento - abatimento > 22 cm - proporcionando inclusive maior economia pela redução do consumo de energia (pessoal, equipamentos) de compactação e acabamento do concreto.

O fenômeno da independência da água para a trabalhabilidade é um marco na Engenharia do Concreto. Sabendo-se que a reação água/cimento, responsável pelo funcionamento do "adesivo cimento" na colagem dos demais componentes só utiliza algo em torno de 0,3 litros de água por kg de cimento, retirar a água em excesso, que só está presente para conferir a trabalhabilidade necessária, é o sonho dos Tecnologistas do Concreto. Esta água em excesso, momentaneamente necessária, não reage com o cimento mas se evapora deixando vazios, criando tensões e fissuração, sendo grande responsável pelas patologias e mau funcionamento do concreto endurecido.

Com o advento dos superplastificantes viabilizou-se a produção de concretos de relação água/cimento menores que 0,4 surgindo o CAD - Concreto de Alto Desempenho -, ou seja, um concreto de elevada resistência que possui uma estrutura densa, com um mínimo de vazios tal que, além de resistências acima de 40 MPa, apresenta elevado módulo de elasticidade e não permite a passagem de gases e agentes agressivos que atacam o concreto e as armaduras.

Todas estas mudanças estão no Brasil e disponíveis para aplicação não somente em obras especiais, nunca viabilizadas antes, tais como vãos especiais, grandes alturas elevadas solicitações, mas também para obras de edificação correntes, onde indicado por estudos técnico-econômicos.

É claro que não se trabalha com concretos desse tipo sem especialização. Há necessidade de conhecimentos técnicos especiais a serem empregados no Projeto a ponto de se reconhecer que existe uma Nova Arquitetura e uma Nova Engenharia. Há necessidade de apoio em análises econômicas profundas, envolvendo custos das alternativas técnicas e custos econômicos de longo prazo - como subproduto da durabilidade e redução da manutenção. Há necessidade de reciclagem das técnicas de execução, a começar por um planejamento mais intenso, preparação de mão de obra, logística e ritmo apurados com atividades e responsabilidades distribuídas entre equipes de cimbramento, forma, armaduras e concretagem.

Cuidado especial deve ser tomado com a produção e entrega do concreto à obra, hoje um serviço terceirizado, um fator de progresso mas que exige um bom entendimento, metodologia aperfeiçoada e principalmente claras responsabilidades. Entre os pesquisadores mais respeitados dessa nova Engenharia de Concreto, o Canadense Jean-Pierre Aïtcin, autor do livro "Concreto de Alto Desempenho"[1], referindo-se aos ensaios de pré-qualificação de empresas fornecedoras de CAD no Canadá faz a seguinte revelação: "O evento crítico de um tal programa de ensaios de pré-qualificação consiste na entrega de uma mistura experimental completa sob as mesmas condições daquelas que prevalecerão durante a obra. Isto pode custar ao produtor de concreto de $7.000 a $10.000 para participar desse programa de ensaios de pré-qualificação, mas foi bem aceito pelos competidores sérios, pois faz o processo de concorrência mais justo. Apenas aqueles que provarem ser capazes de entregar um concreto atendendo a todas as especificações serão incluídos na concorrência, não apenas para o concreto de alto desempenho a ser utilizado, mas também para todo o concreto usual empregado para construir a estrutura, o que é particularmente interessante."

Estas observações dão bem a idéia das responsabilidades e complexidades envolvidas. Certamente esta complexidade poderia ser encarada como uma dificuldade a dispensar, não fossem as imposições proporcionadas pela necessidade de atender às exigências das Normas - como reza o Código de Defesa do Consumidor -, as significativas vantagens econômicas obtidas e a elevada consciência profissional que impulsiona todos em direção ao progresso.

Nesta evolução que se impõe o papel reservado ao construtor é o de se valer de todos os meios ao seu alcance para dominar os recursos para a aplicação dessa Nova Engenharia do Concreto. Sua maior preocupação passa a ser com a garantia da qualidade da estrutura, isto é, como fazer para ter a garantia de que a qualidade - representada pelas especificações e resultados - será atendida. Este compromisso leva a pensar tudo antes, leva a planejamento, a projeto executivo, a controle preventivo, ferramentas da garantia da qualidade.

Tratando-se de um serviço especializado, envolvendo responsabilidades técnicas e econômicas de vulto, a execução de obras que tirem proveito de todas as possibilidades disponíveis exige a assessoria do Engenheiro Tecnologista do Concreto[2], responsável pelo material concreto, seu estudo em laboratório, e seu controle em obra. Não é possível mais prescindir deste profissional nas obras correntes em função do atual estado de ocorrências patológicas constatado no Brasil. Estamos vivendo a situação que os países desenvolvidos já superaram e já está comprovado que o Engenheiro Projetista de Estruturas e o Engenheiro da Obra precisam de ajuda especializada para identificar e superar problemas na produção do concreto, sob pena da continuidade dos erros e dos gastos em recuperação estrutural.

A revelação desse novo profissional surgiu exatamente no campo da recuperação estrutural, onde se valorizou e ganhou status de atividade complementar independente. Mas não é este o papel que o Engenheiro Tecnologista quer desempenhar. Se há mérito em identificar e reparar as patologias, muito maior haverá em evitá-las, portanto participando da elaboração do projeto, dos estudos laboratoriais criteriosos, do acompanhamento das fases executivas, do controle, do retreinamento e formação de mão de obra qualificada para as obras, única forma de implementar procedimentos de garantia da qualidade.

Num programa executivo bem elaborado o Engenheiro Tecnologista de Concreto tornará realidade o emprego de especificações de módulo de elasticidade no Projeto. Em qualquer estrutura com eventos críticos de carregamento em idades pré-estabelecidas o módulo de elasticidade tem importância igual ou maior do que a própria resistência. Conhecendo e estabelecendo valores em Projeto, uma imposição em estruturas modernas, o Projetista de Estruturas estará proporcionando ao Tecnologista de Concreto os meios para realizar estudos de laboratórios e quantificar o comportamento real desses parâmetros para as condições disponíveis no primeiro momento, antes da obra iniciar. Constatado que os materiais e recursos disponíveis não atendem ao Projeto, os estudos continuam até que estejam contemplados de forma confiável ao longo de toda a obra, o que significa materiais adequados, proporções corretas e monitoração de resultados.

Os custos de implantar metodologias deste tipo - inclusive tornar corrente o ensaio de módulo de elasticidade - tem espaço pelos resultados envolvidos. A remuneração de profissionais especializados envolvidos em estudos técnicos e econômicos no projeto e execução, especialmente o Engenheiro Tecnologista de Concreto, é totalmente viabilizada pelos ganhos obtidos em seu trabalho. Isto graças à organização e segurança necessários para a obtenção dos elevados resultados projetados, eliminação de perdas e retrabalho, ganhos de durabilidade, redução de manutenção e patologias, além da maior vida útil do empreendimento.

Sobre as dificuldades iniciais para a implantação dessa Nova Engenharia de Concreto, J. P. Aïtcin assim se manifesta em seu livro: "A despeito dos esforços de pesquisa dos investigadores canadenses na área do concreto de alto desempenho, em 1992 ele tinha sido usado apenas em um número muito limitado de aplicações em construções em interiores de edifícios. Além disso, como em todo lugar, as ligações entre a comunidade científica, engenheiros, arquitetos e proprietários eram limitadas e, para complicar ainda mais o assunto, a confiabilidade de cada uma das partes tinha que ser considerada com a introdução de inovação de um material como esse. Por exemplo, um engenheiro ou um arquiteto não ofereceriam a um proprietário soluções que ainda tivessem que ser ensaiadas, mas um pesquisador não podia demonstrar seus resultados de pesquisa sem construir estruturas experimentais. Em outubro de 1990, um grupo de reflexão denominado 'Projeto Novos Caminhos do Concreto" foi organizado em Montreal para lidar com essa situação, conseguindo que projetos experimentais fossem construídos de forma a tocar para frente a tecnologia do concreto de alto desempenho e para tornar o seu uso corriqueiro. Os sócios fundadores incluíam proprietários, pesquisadores, engenheiros consultores, laboratórios e centros de pesquisa (incluindo a Rede de Excelência em Concreto de Alto Desempenho), produtores de materiais, empreiteiros  e organizações que queriam contribuir para o desenvolvimento de novos usos para o concreto de alto desempenho."

O Brasil já está bem à frente, com inúmeras obras executadas e em execução e isto foi proporcionado pelos saltos conseguidos diretamente sobre o avanço internacional. Mas o quadro de relacionamento e confiança precisa se abrir aqui, como ocorreu ao redor do mundo, demonstrado pelas palavras acima.

[1] Editora PINI, 2.000

[2] Tecnologista de Concreto é o Engenheiro Civil especializado em tecnologia do material concreto e com muitos anos de experiência na área.

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Estruturas de Concreto Armado – A Proteção do Aço pelo Concreto

Egydio Hervé Neto (Porto Alegre, 19/04/2006)

     Concreto armado é uma expressão que traduz com muita simplicidade e felicidade a perfeita união de dois materiais que se constituem num só sistema, o mais utilizado mundialmente para a execução de estruturas para construções. Nesta parceria cada um desses materiais tem um desempenho a cumprir e cabe aos Projetistas – conhecendo-os perfeitamente – tirar máximo proveito de suas possibilidades em benefício do sistema resultante, que é a estrutura de concreto armado.

Neste artigo queremos demonstrar o papel do concreto na proteção do aço da armadura, proteção necessária pois, sem a qual, o aço fica sujeito à corrosão e rápida perda de DURABILIDADE da estrutura, gerando patologias e perda de segurança estrutural.

O concreto é um material produzido de forma quase artesanal, começando por uma mistura plástica constituída de água, cimento e agregados (pedra e areia), que se amolda à forma em que é colocada, depois endurece e adquire resistência compatível com a necessidade estrutural das obras de Engenharia. Na fase de endurecimento, o concreto passa por uma transformação em que parte da água reage com o cimento, formando inicialmente uma pasta e posteriormente uma matriz onde as pedras e a areia ficam envolvidas e que, depois de endurecida, retém esses materiais em seu interior, o que constitui a particular estrutura do material concreto.

No caso do concreto armado, esta mistura plástica envolve as armaduras que ficam, após o endurecimento, aderidas e protegidas pelo concreto tendo em vista o seu “funcionamento” dentro do conjunto da estrutura mas também em relação ao ar e agentes agressivos da atmosfera, especialmente contra a corrosão.

No entanto o material concreto não é um sólido perfeito mas antes um pseudo-sólido, que apresenta vazios de porosidade entre seus componentes e também pela fissuração que é inerente à sua fragilidade, especialmente nas primeiras idades, e que é reconhecida e considerada no cálculo, geralmente no Estádio III, que considera o concreto fissurado e o aço em escoamento.

Estas propriedades são características do concreto que precisam ser levadas em consideração no projeto do material concreto, conforme prevêem as Normas Brasileiras NBR6118:2003 (Projeto); NBR12655:2005 (Controle) e NBR14931:2003 (Execução), entre outras.

O concreto em sua fase plástica necessita apresentar consistência adequada à trabalhabilidade requerida pelo método de mistura e aplicação. Isto é cuidadosamente estudado na dosagem considerando as características do concreto fresco. Geralmente a água é o material utilizado como veículo da trabalhabilidade, obtendo-se concretos mais secos ou mais líquidos conforme se aumenta a quantidade de água por metro cúbico, que pode variar geralmente entre 160 litros por metro cúbico – fornecendo concretos secos – até 220 litros por metro cúbico – fornecendo concretos líquidos.

É claro que estes limites extremos são acompanhados de modificações da granulometria e das proporções entre os agregados adequados a fornecerem concretos com a consistência adequada, ou seja, não podem os concretos, apresentar segregação, que é a separação dos componentes no momento do lançamento.

Entretanto, a principal propriedade da água é a sua reação com o cimento, em proporção adequada por quilograma desse material na massa, denominada relação água/cimento, que é inversamente proporcional à resistência e ao módulo de deformação, os principais parâmetros estruturais do concreto endurecido. Assim, quanto maior é a relação água/cimento, menores são a resistência e o módulo de deformação do concreto endurecido resultante. Isto ocorre porque nem toda a água colocada no concreto para garantir sua trabalhabilidade reage com o cimento, o que faz com que a parte não reagente “sobre” na massa e depois saia por evaporação, deixando vazios e capilares no concreto endurecido.

Geralmente a parte da água que reage fica em torno de 0,25 a 0,30 litros por quilograma de cimento, sendo que o resto evapora ou fica preenchendo os vazios da massa endurecida. Como a maior parte dos concretos usuais apresenta relação a/c acima de 0,50, chegando a cerca de 0,70, pode-se perceber a enorme quantidade de água que deverá evaporar. Na fase de evaporação, ainda com o concreto semi-endurecido ocorrem outros fatos que aumentam a porosidade dos concretos: a fissuração da massa por retração, causada pela rápida perda de volume da superfície em relação ao interior da massa, o que acarreta forças de tração nessa superfície e sua conseqüente ruptura frágil. Para evitar a perda dessa água na fase inicial, quando o concreto é muito frágil, é que se faz a cura do concreto fresco.

A evolução da Tecnologia do Concreto proporcionou o surgimento dos aditivos que são mais um componente do concreto, capazes de agregar propriedades especiais à massa, melhorando suas características de trabalhabilidade quando fresco e capacidade estrutural quando endurecido. Uma dessas propriedades é a de alguns aditivos conferirem maior mobilidade ao concreto fresco, isto é, aumentarem a sua fluidez, sem que se adicione água, ou seja, sem aumento da relação a/c. Modernamente os aditivos ditos superplastificantes  ou fluidificantes, fazem com que se obtenham concretos líquidos na fase fresca, o que facilita a aplicação, inclusive dispensando vibração – com grande economia de equipamentos e mão de obra – com baixíssima relação a/c (é possível chegar à ordem de 0,3 l/kg ou menor), resultando em concretos compactos e de resistências elevadas.

Estes recursos permitem a obtenção de concretos mais duráveis e mais protetores ao aço que envolvem, pela menor porosidade e fissuração, e também pela maior aderência, eliminando as descontinuidades que são o caminho dos agentes agressivos da atmosfera, que usam o ar e a água como veículo de aproximação e ataque ao aço.

É importante abordarmos aqui o mecanismo deste ataque ao aço que resulta na corrosão e fim da vida útil para o concreto armado. Todo o aço no interior do concreto encontra-se inicialmente protegido por uma camada (filme) de óxidos aderidos ao aço – originadas pela dissolução de hidróxidos presentes no cimento que saturam os poros do concreto conferindo-lhe um pH entre 13 e 14 -, que o protege da corrosão. A este fenômeno dá-se a denominação de passivação do aço.

O fenômeno contrário, a despassivação do aço é a ação responsável pelo fenômeno da corrosão das armaduras, e inicia-se com a presença de gás carbônico (CO2) na atmosfera circundante à estrutura. O gás carbônico penetra nos poros e fissuras do concreto, quando saturados de água, formando o ácido carbônico (H2CO3) que ocasiona a redução do pH da solução nos poros abaixo de 9, o que desestabiliza o filme passivante de óxidos e proporciona um processo de corrosão eletroquímica do aço, caracterizado pelo transporte, nesse meio aquoso, de íons ferro (Fe+) em sentido oposto ao transporte e precipitação de hidróxidos dissolvidos (CaCO3, Na2CO3, e K2CO3) formando uma pilha dentro da massa que com a formação de ferrugem e, por seu maior volume dentro do concreto, a ruptura (desplacamento) do concreto do cobrimento em diversos pontos das peças atacadas.

O fenômeno que precede a formação da pilha eletroquímica é denominado carbonatação do concreto e avança no concreto, da superfície para seu interior ao longo dos anos, em maior ou menor velocidade conforme as condições de porosidade, umidade, temperatura e presença de substâncias agressivas – como o CO2 – na atmosfera. O avanço da carbonatação é tanto mais veloz quanto menor é a qualidade do concreto, especialmente quanto à porosidade e fissuração, que se deve evitar com um bom projeto. Outra forma de retardar o avanço da carbonatação é aumentar a espessura do cobrimento das armaduras superficiais, pois o tempo para a total carbonatação e início da corrosão será tanto maior quanto maior esta camada de cobrimento.

Esta foi a forma adotada pela atual Norma de Projeto das Estruturas de Concreto Armado, NBR6118:2003, que apresenta Tabelas que limitam – em função da Classe de Agressividade Ambiental em torno da estrutura - a relação a/c e as resistências mínimas do concreto, para evitar concretos frágeis e porosos e também limitam os cobrimentos mínimos necessários para todos os casos.

Classe de agressividade ambiental

Agressividade

Classificação geral do tipo de ambiente

Risco de deterioração da estrutura

I

Fraca

Rural

Insignificante

Submersa

II

Moderada

Urbana

Pequeno

III

Forte

Marinha

Grande

Industrial

IV

Muito Forte

Industrial

Elevado

Respingos de maré

 

Concreto

Tipo

Classe de Agressividade

I

II

III

IV

Relação a/c

CA

< 0,65

< 0,60

< 0,55

< 0,45

CP

< 0,60

< 0,55

< 0,50

< 0,45

Classe do Concreto (NBR 8953)

CA

> C20

> C25

> C30

> C40

CP

> C25

> C30

> C35

> C40

 

Tipo de Estrutura

Componente ou elemento

Classe de agressividade ambiental

I

II

III

IV

Cobrimento nominal (mm)

Concreto Armado

Laje

20

25

35

45

Viga/Pilar

25

30

40

50

Concreto Protendido

Todos

30

35

45

55

 

            Os cobrimentos nominais apresentados em mm na terceira Tabela acima, levam em consideração as falhas do processo produtivo (industrial) e construtivo (artesanal) e portanto consideram a impossibilidade de se obter retilineidade nas barras, quando aplicadas. O que se considera é que, se aplicado diretamente o cobrimento efetivo na obra, a não retilineidade das barras vai ocasionar que diversos pontos tenham um cobrimento menor, por conta das deformações das barras de superfície e estribos, além das imperfeições de amarração. Por este motivo ás dimensões dos cobrimentos efetivos necessários à durabilidade, foram acrescentados 10 mm, perfazendo o cobrimento nominal, que deve ser prescrito em Projeto. A Norma permite uma redução nesta tolerância, caso a obra comprove o uso de critérios rigorosos de controle na montagem das armaduras. Mesmo assim, o cobrimento nominal mínimo deve ser 5mm superior ao cobrimento efetivo (significa reduzir as dimensões da Tabela em 5 mm).

            A garantia deste cobrimento deve ser obtida de forma inquestionável, o que não é usual nas obras correntes que adotam espaçadores artesanais de argamassa feitos na obra, sem a qualidade necessária e sem dimensões precisas. Os espaçadores de argamassa de má qualidade são um veículo facilitador da penetração dos agentes agressivos na armadura e, por sua maior porosidade e fragilidade, permitem que a corrosão se instale rapidamente mesmo em um concreto bem dosado, resistente e de alta compacidade.

O uso de espaçadores plásticos parece proporcionar maior garantia da medida do cobrimento e pode até possuir menor porosidade que os espaçadores artesanais mas o fato de não serem aderentes ao concreto,  somado à sua fragilidade, que não suporta o peso das armadura sobre a fôrma, torna-os deformáveis na instalação e durante a concretagem, facilitando o contato de agentes agressivos da atmosfera com a armadura.

Recentemente surgiram no mercado espaçadores e fixadores de armaduras feitos de micro-concreto de alto desempenho (fc > 50 MPa), que não apresentam porosidade, não se deformam e resistem ao peso das armaduras e aos esforços de concretagem. Produzidos industrialmente, estes espaçadores permitem garantia de dimensões corretas para os cobrimentos, além de sua geometria permitir diversas soluções necessárias às situações em obra, proporcionando uma qualidade real para os cobrimentos, parte essencial da qualidade do concreto armado.

Vimos neste artigo a importância da evolução da Tecnologia do Concreto para a garantia de durabilidade das estruturas de concreto. As modificações na NBR 6118:2003 e nas demais Normas de Execução e Controle resgatam este importante papel do concreto na proteção do aço estrutural, fazendo do conjunto concreto armado um material cada vez mais apropriado e atual para as estruturas prediais e demais construções. O aumento de resistências, a maior compacidade do concreto garantida pela exigência de limites máximos para as relações a/c, ao lado de aditivos redutores de água e maiores cobrimentos garantidos por espaçadores adequados feitos de concreto de alto desempenho, são instrumentos decisivos para a obtenção efetiva da qualidade, durabilidade e economia indispensáveis às estruturas de concreto.

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A Sociedade e a Engenharia

Antonio Sá Fernandes Palmeira (São Luís/MA - 2006)

 Aspectos Gerais

 É irônico o desconhecimento da sociedade sobre o que é Engenharia. Irônico porque em todas as atividades e em todos os setores do consumo humano, usa-se da Engenharia. Seja Arquitetura, Engenharia Civil, Mecânica, Agronômica, Elétrica, Eletrônica, de Pesca, de Alimentos, Florestal, etc. Sempre encontra-se  a presença da Engenharia como parte da vida moderna.

Esse fato é conhecido por todas as pessoas com algum nível cultural, no entanto só é lembrado quando a atenção é voltada para ele, normalmente é totalmente esquecido, a Engenharia é transparente, incolor e insípida, é como uma vidraça de uma vitrine: quanto mais limpa menos se vê (vê-se o que está dentro da vitrine), porém caso venha a sujar-se, aí sim ela aparece. A Engenharia é muito difícil de ser vista, a Arquitetura só é vista nos seus aspectos artísticos e estéticos e dificilmente é notada nos aspectos técnicos. Dessa forma os Arquitetos são muito pouco conhecidos quando a abordagem é técnica e os Engenheiros (em todas as suas modalidades) jamais são lembrados. Vê-se a construção, a plantação, o televisor, o automóvel, etc. mas não se vê a Engenharia lá agregada.

Além do mais existe uma confusão natural e normal entre a técnica e a execução do objeto que necessita daquela técnica, assim é que confunde-se, por exemplo, Engenharia com construção e Engenheiros com mestres-de-obras. Dessa forma fica difícil para o leigo diferençar o desenho de uma casa (feito por alguém que desenha) de um projeto de uma casa (executado por um Arquiteto). Esse fato prejudica muito o relacionamento cliente/profissional, torna muito difícil convencer um cliente leigo da necessidade da Engenharia.

 Os Empresários

 Como a sociedade não percebe a necessidade e nem mesmo a existência da Engenharia, esta é sumariamente esquecida na aquisição dos bens de consumo. Mesmo que isso seja considerado importante pelo comprador, é esquecido na hora da compra. Vejamos o caso da construção civil: na compra de um apartamento raramente é mencionada a equipe de projeto e execução da obra. Quando isso é lembrado é relegado a um segundo plano, atrás de coisas como a qualidade dos acabamentos ou a localização do imóvel e até alguns itens fúteis. Itens como uma instalação (elétrica, hidráulica, sanitária, etc.) bem projetada e construída com materiais tecnicamente corretos nunca são vistos como pontos que agregam valor ao preço final do empreendimento e tais coisas só darão problemas muito tempo depois, mas não tanto tempo para que possa ser descartada a utilização de um produto que espera-se ser durável. O edifício Areia Branca em Recife-PE , ruiu após 26 anos de uso, por vícios de construção.

Mas é querer muito de um consumidor que ele tenha o cuidado de solicitar, na hora da compra, os relatórios de rompimento dos corpos de prova do concreto usado na obra, pois eles nem sabem que isso existe.

Essa falta de conhecimento da sociedade leva a indústria a ignorar cada vez mais a técnica, colocando toda a sua energia naquilo que realmente vende o seu produto e assim a Engenharia é relegada também a um segundo plano. A certos empresários pouco interessa a Engenharia e a usam apenas para ter quem possa ser responsabilizado no caso de um insucesso, forçando os profissionais a obterem o máximo de ganho no tempo e custo da obra, algumas vezes em detrimento da própria segurança, da durabilidade, da qualidade do produto final.

 As Instituições de Classe

 A luta insana das instituições de classe, Sindicatos, Clubes e o CREA, esbarra no problema da desvalorização não só dos profissionais mas da profissão como um todo.

O que levaria um empresário a pagar bem um Engenheiro se a própria Engenharia correta não lhe trás mais lucro que a simples construção. É bem mais lógico pagar melhor a um mestre-de-obras que nada entende de Engenharia, “para atrapalhar a obra”, mas que entende muito de passar as informações aos operários exatamente naquilo que melhor rende na hora da venda: preço e prazo. Caso haja muita técnica, muito esmero na construção, teremos esses dois fatores prejudicados.

Essa confusão, essa troca de valores, é muito comum na idéia da maioria dos empresários e isso é contagioso, transmitem-se aos profissionais, que deixam de lado a Engenharia e entram na roda-viva da construção de qualquer forma, desde que venda bem. Assim tais instituições não conseguem tornar mais valorizada a profissão porque os próprios Engenheiros não notam as diferenças acima colocadas.

 Os Profissionais

“– O pior dos cegos é aquele que não quer ouvir...”, já dizia meu pai e concluía: “...pois todo cego quer ver”. Algo parecido acontece com os profissionais de Engenharia: não são valorizados pela sociedade. Querem ser, mas não usam dos seus recursos que podem lhes dar valor.

O profissional não reage quando alguém quer fazer algo de forma errada, segundo a Engenharia, e acostuma-se tanto a isso que não nota quando sua profissão é barbaramente atropelada. Entra naquela mesma porta onde entraram os empresários, seguindo os passos da sociedade. Acostumam-se a trabalhar sem o uso da técnica.

Mas os empresários não podem ser culpados de não tentar vender Engenharia, o objetivo deles é vender construção. Já os Engenheiros relegados a plano inferior, (para a sociedade, que mede muito o valor pelo dinheiro, “empresário” é mais importante que “engenheiro”), só têm Engenharia para vender. E como a Engenharia é pouco procurada, ela é vendida barato, às vezes a preços humilhantes.

Engenharia é difícil, trabalhoso, complexo, exige muito estudo, prática, exige muita dedicação. E vender Engenharia é, além de tudo, muito mais difícil que fazer Engenharia. É necessário convencer da utilidade de algo a quem nem sabe o que é aquilo.

A Universidade

As faculdades de Engenharia não formam Engenheiros. Raramente um formando de Engenharia tem o conhecimento exato de uma atitude profissional correta; as normas não são suficientemente ensinadas; as atitudes éticas jamais são lembradas nas faculdades; sequer são repassados os dados necessários para bem escrever um parecer ou um laudo; isso só para citar algumas falhas fatais.

Assim a formação do Engenheiro limita-se aos conhecimentos, (às vezes bastantes superficiais), de aplicações da Física e da Matemática e o resto é meramente informativo, trazendo ao aluno um conceito errado de que Engenharia é só aquilo.

Pode-se notar que os defeitos acima atribuídos aos profissionais tiveram, em grande parte, uma origem de formação. Foram adquiridos na sua formação universitária.

O Que Fazer? 

Começaríamos por informar a sociedade, explicar aos leigos o que é Engenharia e para que serve? Ou começaríamos por mudar a mentalidade dos profissionais? Seria melhor modificar o ensino, reciclar os professores?

Todos esses problemas estão intimamente interligados, não existe um maior que outro, ninguém é mais culpado que outro.

A mobilização pela valorização profissional tem que ser geral, não se pode atacar um setor e esquecer dos outros. Essa mobilização tem que partir das instituições, inicialmente agindo sobre os profissionais e universidades para depois atuar nas classes envolvidas através de uma intensa campanha junto à sociedade.

Mas essa campanha é muito árdua e, antes de tudo, vai exigir uma harmonia perfeita entre os envolvidos. Para dar certo vai exigir uma total união e cumplicidade de toda a classe.

Antonio Sá Fernandes Palmeira é Engenheiro Civil, formado pela Escola de Engenharia do Maranhão em 1973. Trabalha como profissional liberal em projetos e consultoria de Estruturas.

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As ISO 9000 e a qualidade nas construções

Egydio Hervé Neto (Porto Alegre, Novembro/2006)

 

Outro dia em uma de nossas Comunidades de Engenharia na INTERNET foi apresentada uma reportagem sobre a construção civil com a seguinte manchete:

 "O gosto pela chave da casa nova na mão pode desabar juntamente com azulejos mal colocados ou escorrer pelo ralo na descoberta de uma infiltração.”

Fiquei preocupado pois sabemos que a Engenharia é a tecnologia que suporta as construções e aquela reportagem fora publicada em alguns dos jornais de maior circulação e prestígio no país, com grande possibilidade de desvalorizar nossa classe, nosso trabalho enfim, a nós profissionais.

Chamou-me particularmente a atenção a declaração do Engenheiro entrevistado, de uma Construtora de São Paulo, que, ao ser perguntado sobre o fato de que várias empresas tendo a Certificação ISO 9000, porque a qualidade não era assegurada, respondeu:

"O certificado indica que a empresa tem procedimentos de controle de qualidade, mas não assegura que essa qualidade será perfeita"

Ouço esta colocação cada vez que se fala em ISO 9000. Não concordo! Seria trair meus professores do INMETRO, onde aprendi parte do assunto. Gostaria de contribuir para clarear este entendimento, pois, como repito sempre, há crianças escutando que poderiam pensar que isto é verdade.

A verdade é que as ISO 9000, um conjunto de regras e procedimentos para garantia da qualidade - não fosse assim alguém poderia pensar que não garantem a qualidade - é sim, uma forma segura de se obter um produto ou serviço com qualidade assegurada.

As ISO 9000 são concebidas de uma forma genérica e podem ser aplicadas de grandes a pequenas empresas, de obras a cirurgias, são regras universais, portanto genéricas, que conduzem a seus praticantes primeiro, identificar o "estado da arte" da qualidade para o produto ou serviço, e segundo, organizar os dados obtidos nesta pesquisa, sob o foco de "fazer a coisa certa" para aquele objetivo almejado. Isto significa que a pesquisa é imensa e detalhada, envolvendo o "benchmark" visado, por exemplo,  o que as Normas Brasileiras mandam respeitar (isto envolve conhecer e respeitar as Normas Brasileiras) ou o que determinada empresa líder faz para agradar.

A seguir a empresa tem que passar por uma auto-avaliação impulsionada pela Alta Administração, onde, a partir do que esta Alta Administração (os donos do negócio) entende como seu objetivo de qualidade (por exemplo, "respeitar as Normas Brasileiras", ...seria bom).

A partir daí o programa vai ao nível das pessoas que fazem o trabalho – usa-se a expressão “descer ao chão de fábrica” -, primeiro identificando as atividades, depois o que cada um faz dentro da atividade. Paralelamente a documentação resultante desta grande "autópsia" interna, vai sendo estudada pelos "donos" (devidamente assessorados) e comparada com seu objetivo, o que mostrará acertos a impulsionar e distorções (fugas) a corrigir.

Ao final do processo surgirão duas correntes de informações (simplificadamente):

1.      o que se está fazendo (a nível pessoal, por atividade) e

2.      o que se deveria fazer (nas atividades e as pessoas que as executam).

Da análise dessas situações finalmente surge o grande trabalho a ser realizado pela Empresa (entidade maior e única e como tal, o conjunto de tudo o que faz) para atender ao seu objetivo, já identificado.

Ninguém se iluda: É preciso uma mudança de mentalidade!

Não quer dizer sair mandando colaboradores embora, trocando e contratando, para "fabricar" uma empresa, pois ela se tornaria um robot, uma entidade que faz as "coisas certas" por programação, mas sem alma, sem a participação consciente e voluntária das pessoas que a compõem, portanto fadada ao insucesso.

O verdadeiro trabalho é fazer com que as pessoas desfocadas reconheçam e aceitem o verdadeiro caminho, deixem de lado velhos hábitos, reconheçam seu despreparo e manifestem seu desejo de reaprender ou aprender sua verdadeira tarefa (quanta gente anda por aí, desatualizada, cometendo erros mas lutando para escondê-los ou reagindo com agressividade, de forma a desestimular os conselhos e advertências para a necessidade de mudar, por puro medo de perder o posto). Por outro lado há quem nesse processo apresente a melhor forma de executar a atividade, trazendo melhorias e novas metodologias, especificações que não apareciam antes por falta de um diálogo e de transparência (novamente o medo).

Sim, é um grande trabalho de treinamento para capacitação voluntária. Claro, também desaparecem postos de trabalho, surgem outros, desaparecem atividades inteiras e surgem outras. Mas finalmente (nunca antes de 2 ou 3 anos) o novo desenho da Empresa vai se apresentando, a imagem vai melhorando, os produtos e serviços que pratica vão se tornando naquilo que se deseja e a Empresa finalmente possui, sim, a qualidade assegurada, dentro do modelo que se propôs.

Aí começam a ficar claros os conceitos dos grandes "gurus" da qualidade, Deming, Juran, Crosby, os americanos do "milagre japonês": A qualidade é de quem a faz!

Por isto é tão difícil praticar realmente a qualidade de acordo com as ISO 9000. E aí fica fácil entender porque a maioria dos que falam a respeito dizem que "as ISO 9000 são procedimentos, mas não asseguram a qualidade...". É outra distorção, outra fuga. Daí surgem as visões e comentários de que "isto aí é uma papelada sem fim!", ou tipo "onde é que eu compro este diploma?" Situações bem ao gosto daqueles que não acreditam em investir e nem se propõem a mudar. Muitos empresários escolhem aplicar as ISO 9000 para um modelo de qualidade que não é adequado para o produto ou serviço. E atendem sim, a essa qualidade, para desgosto dos Clientes, que assim ficam insatisfeitos. Seria exemplo várias construtoras, em um mercado em que elas decidem em conjunto praticar um nível de qualidade abaixo do padrão desejável e assim, por falta de opções de qualidade, os Clientes só podem sofrer e reclamar...

Então, para quem deseja não apenas ter uma qualidade assegurada mas que ela esteja ao gosto do cliente, tem que ir ao mercado e escutar também o Cliente, observar o concorrente de sucesso, seguir regras mínimas de bem proceder. É o que os que acreditam nisto chamam de “encantar o Cliente!”.

Para encerrar este comentário, trago o pensamento que um grande empresário brasileiro me manifestou depois de uma palestra que apresentou na USP, há quinze anos atrás, quando sua Empresa (que já era enorme) começava a sua atual mudança:

"Eu na verdade, depois que conheci ”A QUALIDADE" pelas ISO 9000, não sou mais o Presidente da minha Empresa. Isto é apenas um posto, um cargo. Eu deixei tudo de lado e fui aos meus operários e Engenheiros, motivá-los com o meu exemplo e as minhas palavras, a entenderem e mudarem para conseguir os melhores resultados para si mesmos, dentro do que a Empresa precisaria para melhorar, convencendo-os que nesta vitória, que nos faria uma Empresa melhor e maior, eles seriam objetivamente ganhadores, com melhores salários, ambiente de trabalho, conquistas na família e bons prêmios para usufruir e mostrar!"

 A Empresa que ele preside é atualmente a maior siderúrgica do mundo! E é brasileira!

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Controle Tecnológico: parte do Projeto de Estruturas

Egydio Hervé Neto (Porto Alegre, 09/12/2005)

 Controle Tecnológico é o conjunto de ações determinadas no Projeto, para assegurar que a obra apresente conformidade com este Projeto.

O Projeto de Estruturas de Concreto, hoje brindado com uma reformulação completa do ponto de vista das hipóteses de cálculo e da durabilidade, passou a ter uma relação ainda mais objetiva com o controle tecnológico, única forma de, durante a execução, verificar se está se atendendo às suas exigências, através da realização de uma série de procedimentos definidos como de garantia da qualidade.

Nas tão famosas ISO 9000, normas que na verdade são regras genéricas de qualidade, está estabelecido o termo planos da qualidade, que é uma relação completa, com descrição detalhada, de todos os testes e verificações que serão feitas na produção ou serviço, que no nosso caso é a estrutura, desde o Projeto, durante a Execução e ao longo de sua vida útil, na fase de Uso (Inspeção e Manutenção), para não apenas comprovar a qualidade mas para garantir que se manterá no uso, por toda a vida útil da obra.

Da mesma forma, ao elaborarmos um Projeto Estrutural, devemos elaborar planos da qualidade, pois exatamente como em qualquer produto ou serviço realizado, às construções se aplicam as ISO 9000, pois afinal, o Projeto foca diretamente a qualidade, conforme estabelece a NBR 6118:2003 em seu item 5. Requisitos gerais de qualidade da estrutura e avaliação da conformidade do projeto, assim se expressando em 5.1.1 Condições gerais: As estruturas de concreto devem atender aos requisitos mínimos de qualidade classificadas em 5.1.2 durante sua construção e serviço, e aos requisitos adicionais estabelecidos em conjunto entre o autor do projeto estrutural e o contratante.

Fica claro neste enunciado que cabe ao Projeto Estrutural definir os requisitos para a qualidade e não apenas os definidos em 5.1.2 mas também requisitos adicionais, ou seja, é o Projeto quem determina as ações de controle, conforme afirmamos na abertura deste artigo.

Em se tratando de concreto armado, temos basicamente dois materiais componentes na estrutura, que são o concreto e o aço. Para definir os planos da qualidade que serão empregados na obra, cabe à Equipe de Projeto elaborar, com base na lista de requisitos do projeto, a relação de testes e respectivas Normas a serem empregadas.

Aqui é o momento de prestar um esclarecimento, pois a esta altura os Calculistas estarão se perguntando: “Espera aí, o Projetista Estrutural tem que elaborar lista de requisitos, relação de testes, nomear as Normas?”

De fato, se analisarmos os usos e costumes e a prática do Projeto Estrutural, o Engenheiro Calculista não costuma realizar esta atividade, até por não ser este o seu escopo de trabalho. Acontece que num Empreendimento maior, grandes obras, o Projeto Estrutural não é entendido como um único profissional, mas sim uma equipe inteira, envolvendo, como mínimo, Arquiteto, Calculista e Engenheiro de Materiais, este último o especialista em Tecnologia de Concreto. De forma corrente, nos grandes Projetos, isto nem é questionado, até porque a primeira entidade contratada é uma empresa gerenciadora, que se encarregará de contratar todos os demais profissionais, na linha de ação definida pela seqüência Projeto>Execução>Uso>Manutenção.

Mas acontece que nas estruturas de edificações correntes, a Engenharia do Concreto mudou. O mais claro instrumento desta mudança é a NBR 6118:2003 integrada a todas as demais Normas de estruturas de concreto e claramente se percebe que a idéia é melhorar um estado de coisas que se evidenciou nos últimos anos, que é a queda da durabilidade das estruturas de concreto!

Em vista desta constatação as Normas foram mudadas e os procedimentos por ela recomendados também, sendo mais evidentes e rigorosos do que eram anteriormente. Claro, sabe-se que é preciso controlar o concreto, verificar resistências, determinar o fck estimado; também comprovar o aço, se atende às especificações, se possui conformidade; mas acontece que as empresas pararam de fazer controle em obra. É uma constatação. Os motivos são diversos mas especialmente no caso do concreto parece haver um consenso de que as concreteiras fazem este controle e nada mais precisa ser feito. Sobre o aço acredita-se que, sendo um produto industrializado o controle industrial garante a qualidade. Pode até ser, mas no caso do concreto, que não é um produto industrializado mas apenas um serviço, é obrigatório o controle na obra, com Norma própria, a NBR 12655:1996, independentemente da obrigação que as concreteiras têm – e qualquer central de concreto, mesmo dentro da obra – de seguir a NBR 7212:1984, que é um conjunto de diretrizes para o sistema de qualidade da produção do concreto em central.

O quadro que estamos pintando não é de brinquedo. Retrata uma situação bastante grave e é preciso mostrar, abrir os olhos da comunidade profissional sobre o desvio de conduta que está se estabelecendo e se instalando de forma insidiosa, afastando-nos da boa prática e com graves conseqüências, à imagem da nossa classe, que tanto se queixa de desvalorização, sem contar o risco e a insegurança que se estabelecem com o não uso ou uso inadequado das Normas e da tecnologia adequada.

Voltando ao que deve ser feito como conseqüência do que recomenda a NBR 6118:2003 temos mais um extraordinário reforço à nossa tese de que o Projeto deve estabelecer os planos da qualidade, nas referências à “documentação da solução adotada”, tema do item 5.2.3, além da referência a “informações dos projetos, dos materiais e produtos utilizados na execução da obra” no item 25.4, que se refere à base documental para elaboração do Manual de Utilização, Inspeção e Manutenção. Este Manual é o documento que permite orientar e comprometer o Proprietário e os Usuários com a conservação da estrutura e isto só pode ser feito se eles tiverem claramente documentadas todas as informações sobre o Projeto e a Execução, nesta última representadas pelos resultados do controle de materiais e procedimentos.

A referência à documentação do controle é expressa claramente na NBR 12655:2005 no item 4 Atribuições de Responsabilidades, que cita expressamente: “O proprietário...deve garantir o cumprimento desta Norma e manter documentação que comprove a qualidade do concreto.... Ainda na NBR12655 no item 4.2, que estabelece as atribuições do responsável pelo projeto estrutural, constam como informações a serem apresentadas em Projeto “especificação de fckj para as etapas construtivas...”, “módulo de deformação mínimo na idade de desforma...”, “outras propriedades necessárias à estabilidade e durabilidade da estrutura”. São todas exigências de controle que devem ser contempladas desde o Projeto, e que não vêm sendo especificadas nas obras de edificações correntes em estruturas de concreto no Brasil, embora as obras executem procedimentos de retirada de escoramentos e outros esforços sobre a estrutura em idades bastante inferiores à idade de 28 dias, considerada a idade do Projeto.

Um adequado programa de controle tecnológico do concreto, expressão homônima a planos da qualidade, para estruturas de concreto, deve levar em consideração o procedimento executivo, o que torna cada vez mais necessária a participação do Responsável pela Execução na elaboração do Projeto. Isto se torna evidente na medida em que métodos de desforma rápida, em idades menores do que 28 dias, sempre devem considerar o comportamento estrutural do material concreto nessas idades, ou seja, deve-se conhecer as curvas de crescimento da resistência e módulo de deformação, para assim estabelecer a idade correta das ações executivas, conforme estabelece a norma de Execução, NBR 14931:2003, em seu item 10.2.2 Tempo de permanência de escoramentos e fôrmas: “A retirada das fôrmas e do escoramento só pode ser feita quando o concreto estiver suficientemente endurecido para resistir às ações que sobre ele atuarem...”

Um Projeto correto exige portanto conhecer estas Curvas, que podem ser obtidas com estudos de dosagem e informações do mercado sobre o tipo de cimento e os componentes do concreto, que um Engenheiro Tecnologista de Concreto experiente tem condições de transformar em informações de projeto. Com base nessas informações o Calculista tendo estabelecido as resistências necessárias no Projeto, o Tecnologista poderá estabelecer a idade de desforma ou outras ações que geram esforços sobre o concreto e portanto exigem valores mínimos de fck e Ec. Esta exigência de controle está implícita nos procedimentos de Projeto, evidentes nas Normas atuais, e são fatores que além da segurança absoluta e respeito à qualidade, permitem a determinação da resistência a 28 dias ideal para o ritmo da obra, tendo em vista o atendimento ao módulo de deformação, à resistência característica e à relação água/cimento máxima para a durabilidade, no menor prazo imposto pelo cronograma ou desejado por estudos econômicos.

Finalmente fica claro, por todas estas colocações, que a especificação do Controle a partir do Projeto é também a melhor forma de garantir o custo mínimo à qualidade desejada, pois só de posse de resultados que confirmem as exigências de Projeto, poderemos garantir a durabilidade, a segurança e a economia na execução de estruturas de concreto. E mais uma vez fica patente que o escopo de Projeto exige equipe multidisciplinar, onde tem papel fundamental o projetista do material concreto, o Engenheiro Tecnologista do Concreto.

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Indústria da Construção

 Egydio Hervé Neto (Porto Alegre, 04/09/2002)

Embora seja uma expressão plenamente integrada ao vocabulário da Engenharia, da Economia e da mídia em geral, esta expressão ainda tem que ser muito trabalhada para se tornar a realidade desejada pelo setor da construção brasileira. Diferente de qualquer indústria, o setor da construção não produz, em um local, vários produtos, mas, ao contrário, produz em cada local, um produto.

Ao invés de ter os operários em volta do produto, tem o produto envolvendo os operários gradualmente. A seqüência de produção é, como na indústria automobilística, uma montagem de diversos componentes, alguns encaixados, outros moldados no local, com a diferença de ser a construção muitas vezes maior que o automóvel.

Usando este mesmo modelo da indústria automobilística podemos entender melhor, numa escala mais realista, todo o complexo da industrialização da construção. Ela pode ter também uma linha de montagem, com a diferença que, sendo cada modelo diferente do anterior, a diversidade de componentes disponíveis tem que ser maior. Também, como conseqüência, o número de fornecedores é muito maior e a dificuldade de organizá-los sob padrões de qualidade, nos moldes de gestão comandados pelas Montadoras de Automóveis, é muito maior.

Apesar dessas diferenças, permanecendo neste comparativo, é possível organizar os fornecedores em padrões de produtos, de procedimentos, de especialização, e isto está acontecendo através de programas como os PSQ - Programas Setoriais da Qualidade, onde se definem os padrões, estimulam-se as criações de Normas dentro de necessidades de Qualidade em acordo com as possibilidades do mercado e passa-se a dispor de produtos certificados e serviços qualificados.

Independente do grande e reconhecido esforço realizado pelo Governo Federal no âmbito do PBQP-H - Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade para a Habitação, um exemplo de sucesso em um trabalho que vence as dissidências políticas e busca uma saída para este problema da moradia da família brasileira, a própria iniciativa privada cresce em ações de união em torno dos meios de industrializar para organizar a construção.

Exemplo disso é a iniciativa da Comunidade da Construção, o site criado pelos principais parceiros do setor, integrando os Sinduscons de todo o país, e demais entidades como SENAI, SEBRAE, universidades e empresas, coordenados pela ABCP, através do Projeto Racionalização das Estruturas de Concreto e Revestimentos Argamassados.

Conscientes da representatividade do setor no PIB brasileiro (16%) e da importância do concreto nas nossas obras, a atividade desenvolvida nessa Comunidade é centrada nos aspectos operacionais da construção como indústria, especialmente na execução das estruturas de concreto moldadas na obra e dos revestimentos argamassados, práticas preponderantes no setor.

No que diz respeito à execução de estruturas de concretos moldadas no local, a industrialização se estabelece através da racionalização dos componentes da estrutura em uma linha de montagem sistêmica. A estrutura como um Sistema Estrutural, responsável pelo suporte das cargas, composta de vários sub-sistemas ordenados sob um Planejamento Executivo, que se inicia a partir da concepção (Projeto Arquitetônico, Projeto Estrutural), planejamento (estabelecimento de etapas, seqüenciamento logístico, identificação de insumos, definição de características técnicas, qualificação de fornecedores, planos da qualidade) e culmina na execução propriamente dita.

Resumidamente a execução da estrutura, em linha de montagem, se dará pela interação dos seguintes sub-sistemas:

I.                  Formas

I.I.                       Projeto de cimbramento

I.II.                    Projeto de formas

I.III.                Procedimentos de corte

I.IV.                  Procedimentos de pré-montagem

I.V.                     Procedimentos de montagem (obra)

I.VI.                  Procedimentos de controle durante a concretagem

I.VII.              Procedimentos de reescoramento

I.VIII.           Procedimentos de desforma

II.              Armaduras

II.I.                    Procedimentos de corte e dobra

II.II.                Procedimentos de pré-montagem

II.III.             Projeto de espaçadores e posicionamento

II.IV.              Procedimentos de montagem

II.V.                  Procedimentos de controle durante a concretagem

III.           Concreto

III.I.                Identificação dos parâmetros do concreto fresco e endurecido (dosagem)

III.II.             Identificação e qualificação do fornecedor

III.III.         Logística do transporte à obra

III.IV.           Equipamentos e logística de transporte interno

III.V.              Logística de distribuição e acabamento

III.VI.           Procedimentos de cura

Todo este seqüenciamento de ações que caracterizam a linha de montagem industrial da execução da estrutura permite a consolidação de procedimentos previamente estabelecidos pelo planejamento e monitorados pelo controle, dentro de um Sistema de Garantia da Qualidade de cada "produto" (obra) da nossa "indústria" (construtora).

Este Sistema de Garantia da Qualidade, como em uma indústria tradicional, pode ser formalizado e implementado a partir das Normas ISO 9000, conforme as "Diretrizes" apresentadas na ISO 9004 (aliás, NBR 19.004, no Brasil). A construtora não necessita uma certificação formal - embora isto seja desejável e até exigido por alguns contratantes - para empregar estas Diretrizes, nem precisa fazer isto em todas as suas obras mas a cada uma isoladamente, o que forçosamente demonstrará as vantagens de estender este procedimento às demais obras e às suas áreas staff.

O sucesso de todas as etapas - pois de cada etapa depende o sucesso da próxima - depende da "Documentação do Sistema" que significa elaborar, registrar e disponibilizar informações das fases de concepção, planejamento e execução - segundo diretrizes que preservem hierarquia e participação - a todos os envolvidos.

O documento principal é o Manual da Qualidade, onde se encontram inicialmente as informações de concepção e planejamento e, à medida que a estrutura se desenvolve, as pertinentes à execução.

As informações de controle, que servem à comprovação da conformidade ao projeto e portanto como documentação formal do atendimento à qualidade, fazem parte do conjunto dos Planos da Qualidade, registradas em capítulo especial do Manual, contendo os planos da qualidade propriamente ditos, ou seja, o roteiro e a quantificação das ações de inspeção e testes especificamente estruturados para a obra na concepção e no planejamento, mas principalmente, os resultados do controle, contendo documentos finais tais como Certificados de Qualificação de Insumos e de Fornecedores, documentação de testes e inspeções de campo e laboratoriais, enfim, a comprovação do atendimento às especificações exigidas pelos Projetos.

No dizer dos criadores da Comunidade da Construção "... é clara a percepção de que podemos dar um salto.", e mais adiante "... nossa idéia é articular todos os agentes envolvidos...". Com isto se pode tirar maior proveito ainda do paralelo com a indústria automobilística: cadeia de fornecedores alinhados, com padrões de qualidade de produtos e procedimentos definidos, preservando a individualidade mas dentro de um objetivo comum que exige um mínimo de foco em racionalização, o que traz consigo a idéia de união em torno de um problema maior que é a viabilização de um custo menor e uma maior competitividade à indústria como um todo.

E aqui, no final dessa reflexão, pedimos licença para agradecer e nos afastarmos do paralelo com a indústria automobilística por vários motivos: a indústria da construção é sinônimo de emprego, tem a amplitude do povo brasileiro e por isso é sinônimo de bem estar social em todos os níveis e finalmente, por tudo o que representa, merece uma atenção infinitamente maior que a indústria automobilística.

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Obras de Concreto Comprometidas com a Durabilidade

Egydio Hervé Neto (Porto Alegre, 14/07/2004) 

Depois de 26 anos a Norma de Concreto, material mais utilizado nas construções brasileiras, incorpora a evolução tecnológica que nestes anos o Brasil e o mundo soube acumular e uma Nova Norma passa a ser a única válida a partir de Abril de 2004.

A Nova Norma de Concreto, chamada NB1 pela ABNT e registrada no INMETRO como NBR6118, traz como compromisso a durabilidade das estruturas e por isto foi reformulada em seus conteúdos ganhando instrumentos técnicos e operacionais capazes de proporcionar maior qualidade e longevidade às obras.

Exemplos disso são estabelecidos pelas mais claras responsabilidades que assumem os agentes do processo de construção, representados pelos profissionais de projeto e execução, os prestadores de serviços, os fornecedores de materiais e o próprio responsável pela implantação e comercialização do imóvel, denominado genericamente proprietário, responsável por “garantir o cumprimento da Norma e manter documentação que comprove a qualidade do concreto” (NBR12655).

Este papel, à primeira vista comprometedor ao proprietário, considerado um leigo, é coerente com o espírito da lei do Código de Defesa do Consumidor, que responsabiliza por defeitos e danos de um produto ou serviço aquele que o criou ou deu-lhe “vida”, através da construção e comercialização.

No entanto, exatamente por ter este compromisso, o proprietário pode e deve exigir dos profissionais a seu serviço – estes sim obrigatoriamente não leigos -, a comprovação da qualidade no Projeto e na Execução documentada em Certificados e Relatórios Técnicos e, sob a forma de um Manual, demonstrar a conformidade da construção.

Não somente isto mas também neste Manual, cabe ao proprietário, assessorado pelos profissionais responsáveis, fazer constar os compromissos dos usuários com a manutenção, informando as datas de validade, os procedimentos técnicos, os materiais a serem utilizados, etc, enfim, todas as ações que visam a continuidade da obra durante seu desempenho em serviço, como garantia de sua durabilidade que se traduz na forma de “vida útil” longa e confortável para o usuário, a quem o Manual é entregue.

O que se estabeleceu com a Nova Normalização é que, em defesa dos interesses do proprietário, um novo procedimento e interação se realize entre os profissionais envolvidos, desde o Arquiteto em seu Projeto Arquitetônico, passando pelo Engenheiro de Cálculo, até o Engenheiro Construtor, responsáveis pela atuação de inúmeros outros agentes da cadeia produtiva – de modo que exista maior troca de informações e definição de responsabilidades, que possam proporcionar as melhores soluções antes da execução ou até durante a mesma, isto é, preventivamente, para que o produto final seja o que se promete e se deseja.

Ao projetista estrutural cabe o dever de estabelecer premissas de qualidade para o concreto que atendam às necessidades e possibilidades executivas que o engenheiro construtor deve comprovar. Mas isto não é possível sem a participação do próprio projetista estrutural na confirmação do resultado final, antes da liberação de cada etapa da obra. Esta é a forma da Nova Normalização colocar não só o construtor no dever de cumprir o Projeto, mas também de comprometer o projetista com a realidade e exeqüibilidade de seu Projeto.

Com as Novas Normas a exigir a comprovação do desempenho estrutural do concreto volta a necessidade de realizar estudos prévios com os materiais – dosagem do concreto – determinando-se o crescimento das resistências, estruturais e á deformação, antecipadamente à obra, para escolha da mistura ideal. Como conseqüência torna-se obrigatória a realização de testes e controles, com amostras extraídas do material, durante a execução, e não há liberação da construção sem que sua qualidade total seja realmente comprovada.

Criticada por exigir maiores resistências para o concreto, maior cobrimento de concreto sobre as armaduras, formas de garantir a durabilidade e o desempenho, a Nova NB1 proporciona economia direta na redução das seções do concreto, redução da taxa de aço pela maior participação do concreto no binômio concreto-armado, redução da área de fôrmas, redução do volume de concreto entre outras vantagens.

Indiretamente a melhoria da qualidade do concreto pela menor permeabilidade à água que corrói armaduras, a aceleração construtiva proporcionada pelo rápido crescimento da resistência, a menor necessidade de manutenção, a maior vida útil, são fatores de redução de custo que tornam as melhorias da Norma compensadoras em relação ao eventual maior custo direto do material.

Construir é uma arte de alta tecnologia, mas de maiores responsabilidades. Nessa balança os custos deveriam ser um aspecto menor diante da perspectiva da segurança às vidas humanas, seja por acidentes, de efeito imediato, seja pela lenta agonia de uma vida de desconforto causada por pequenas trincas, queda de revestimentos, infiltrações de umidade, perda de valor patrimonial, etc. As Normas evoluem como forma de melhoria e isto é tanto mais verdade quanto no Brasil não temos verbas para experimentos e pesquisas e as descobertas se fazem diretamente pelo sofrimento no uso. Por isto o compromisso de acelerar o pleno emprego da Nova Normalização do Concreto, ainda que exija o esforço de estudar, experimentar, discutir, para finalmente acertar. Pior seria o imobilismo, o descumprimento da Lei, a persistência no erro.

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Lucro é Progresso

Paulo Roberto Vilela Dias, MsC[i]

         “Lucro é Progresso”, título de matéria do jornal Gazeta Mercantil, agosto de 2005, em entrevista com o Sr. Marcio Cipriano, presidente do BRADESCO. Evidentemente que tenho que concordar com esta tese, principalmente, porque as empresas particulares vêm substituindo o Governo, incapaz por exigüidade de recursos financeiros, como benfeitor de ações na área social. É a era da “Responsabilidade Social”.

 Que parcela nestas ações cabe às empresas prestadoras de serviços de engenharia e arquitetura? Na atualidade nenhuma, uma vez que os percentuais de lucro obtidos, quando existem, impossibilitam estas empresas de fazê-lo.

Atualmente 38% das obras não geram lucro

 A economia nacional está total e definitivamente descongelada, no entanto, no tocante aos serviços de engenharia persiste o tabelamento despropositado e desprovido de qualquer compromisso com a boa técnica da Engenharia de Custos. Isto se deve ao fato das empresas contratantes, públicas e particulares, aplicarem de forma errônea as tabelas de preços, que são necessárias, porém, seu papel deve ser em benefício da sociedade civil e não em prol de poucas empresas de engenharia que se sujeitam a editais muito mal formulados e aceitam os preços vis praticados pelos contratantes e, ainda, apresentam descontos sobre estes.

É sabido que estes descontos só são possíveis, principalmente, pela elevada sonegação de tributos, obras de péssima qualidade e, por vezes, conivência com a fiscalização e resultando em elevado prejuízo para a nação.

“Atualmente são mais de 3.000 obras paralisadas em todo o País que montam a R$ 3 bilhões jogados pelo ralo”, segundo o jornal O GLOBO de 01/05/2005.

 

 A tributação nos serviços de engenharia de construção é muito perversa e, na consultoria, pior ainda. Propiciando aos sonegadores preços inferiores aos de mercado. Então, vejamos o cálculo a seguir: 

MÉDIA  DE  TRIBUTOS  EM  OBRAS  PÚBLICAS

 

 

 

 

 

 

 

DESCRIÇÃO

PARTICIPAÇÃO NO  CUSTO   (%)

%   DE TRIBUTOS

TRIBUTOS  NA CONSTRUÇÃO

(%)

MÃO  DE  OBRA

38,8

52,2

20,3%

EQUIPAMENTOS

  4,0

26,0

 1,0%

MATERIAIS

41

24,0

 9,8%

TRIBUTOS  SOBRE  A  NOTA  FISCAL

   9,3

100,0

9,3%

LUCRO

  6,0

 

 

TOTAL  DE  TRIBUTOS  NA  CONSTRUÇÃO  PREDIAL

 

40,4%

 OBS: Consideramos, apenas, os tributos significativos, deixando de incluir, por exemplo: anuidade e ART do CREA, custos cartoriais, licenças e taxas diversas de Prefeituras e órgãos públicos e etc,ou ainda, no caso de incorporações a ITBI – Imposto de Transferência de Bens Imóveis (aproximadamente 2,5% sobre o valor de venda do imóvel). 

 Os percentuais de tributos a serem aplicados sobre a MÃO DE OBRA, EQUIPAMENTOS  e  MATERIAIS foram calculados conforme descrito a seguir:

 - TRIBUTOS  SOBRE  A  MÃO  DE  OBRA

          Os tributos sobre a mão de obra são conhecidos como encargos sociais, entretanto, estes são divididos em impostos (pagamentos ao governo) e salário indireto do profissional.

          Encontramos 52,2% de impostos inclusos nos encargos sociais, de acordo com o quadro a seguir. 

ENCARGOS     SOCIAIS

 

 

 

 

CÓDIGO

DESCRIÇÃO

FÓRMULAS

Incidente sobre Hora Normal

 

 

 

GRUPO     A

GRUPO     B

GRUPO     C

Dados Básicos Para Cálculo dos Dias Efetivamente Trabalhados ( para salário/hora ) :

A

Dias Por Ano

365

 

 

 

B

Domingos

52

 

 

 

C

Domingos de Férias

4

 

 

 

D

Dias de Enfermidade

5

 

 

 

E

Férias

30

 

 

 

F

Feriados

12

 

 

 

G

Resultado

 

 

 

 

 

( A - ( B - C ) - D - E - F )

270

 

 

 

 

IAPAS

FIXO

20,0

 

 

 

SESI

FIXO

1,5

 

 

 

SENAI

FIXO

1,0

 

 

 

INCRA

FIXO

0,2

 

 

 

SEBRAE

FIXO

0,6

 

 

 

Salário Educação

FIXO

2,5

 

 

 

Seguro Contra Acidentes Trabalho

FIXO

3,0

 

 

 

FGTS

FIXO

8,5

 

 

 

SECONCI

FIXO

1,0

 

 

 

Salário Maternidade

 

0,0

 

 

 

Repouso Semanal Remunerado

 ( B - C ) / G * 100

17,8

 

 

Férias

( E + 10 ) / G * 100

14,8

 

 

Feriados

F / G * 100

 

4,4

 

 

Aviso Prévio Trabalhado

7 / G * 100

 

2,6

 

 

Auxílio-Enfermidade

( 5 / G * 100 )

 

1,9

 

 

Licença Paternidade

5 / G * 100 * 1,5% * 97%

0,1

 

H

13º Salário

30 / G * 100

 

11,1

 

 

Aviso Prévio Indenizado

( 23 / G * 100 ) * 0,8

0,0

 

 

Depósito Resisão Sem Justa Causa

50% *  9,2

 

 

4,6

 

FGTS sobre 13º Salário

8,5%  *   H

 

 

1,0

 

Previdência sobre 13º Salário

28,8%  *   H

 

 

3,2

SUB-TOTAIS  ( GERAL )

 

38,3

52,7

8,8

SUB-TOTAIS  ( IMPOSTOS )

 

28,8

0

3,2

Incidência   Cumulativa    do    Grupo  A    sobre   o   Grupo  B (38,3% x 52,7%)

 

 

 

20,2

TOTAL ( GERAL ) ( % )

 

 

 

127,3

TOTAL ( IMPOSTOS )  (  % )

 

 

 

52,2%

(*) Tributos em negrito.

  - IMPOSTOS  SOBRE  OS EQUIPAMENTOS

          Os impostos sobre o valor de aquisição dos equipamentos utilizados em obras públicas de edificações (vibrador de imersão, betoneira, serra elétrica, furadeira e etc) em média, os seguintes impostos:

 DESCRIÇÃO                              % 

IPI (Federal)                                 8%

ICMS (Estadual)                         18%

TOTAL                                        26%

 - IMPOSTOS  SOBRE  OS  MATERIAIS

          Sobre materiais temos a seguinte aplicação:  Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI (Federal) e Impostos sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS (estadual).

          O IPI apresenta alíquota variável por insumo, enquanto o ICMS é praticamente a mesma alíquota para todos os materiais de construção por Estado.

         O quadro a seguir expressa os percentuais aplicáveis sobre os diversos materiais utilizados em obras. 

TRIBUTOS SOBRE MATERIAIS

 

 

 

 

ALÍQUOTAS  VIGENTES  NESTA  DATA

 

PESO

 

FAMÍLIA    OU   PRODUTO

ALÍQUOTA   ( % ) (A)

UNITÁRIO

TOTAL

 

IPI

ICMS

Curva ABC (B)

A x B

Cimento

4

18

12,2%

2,68%

Eletroduto de PVC

10

18

8,7%

2,44%

Torneira cromada

12

18

8,4%

2,52%

Tubo de PVC

10

18

7,0%

1,96%

Telhas cerâmicas

0

12

6,0%

0,72%

Tijolos

0

12

5,6%

0,67%

Brita

0

12

5,4%

0,65%

Tábua de pinho

10

18

5,0%

1,40%

Fio termoplástico

15

18

4,8%

1,58%

Azulejo

10

18

4,8%

1,34%

Areia

0

12

4,8%

0,58%

Portas

10

18

4,1%

1,15%

Tubo ferro galvanizado

8

18

4,0%

1,04%

Aço

5

12

4,0%

0,68%

Caixa de passagem elétrica

15

18

3,0%

0,99%

Chapa de compensado

10

18

1,8%

0,50%

Bloco de cimento

10

18

1,6%

0,45%

Interruptor

15

18

1,6%

0,53%

Caixilho de ferro

10

18

1,6%

0,45%

Vidro liso

10

18

1,5%

0,42%

Disjuntor

15

18

1,2%

0,40%

Caixa d`água

10

18

1,2%

0,34%

Concreto Usinado

10

18

1,0%

0,28%

Dobradiças de ferro

10

18

0,3%

0,08%

Líquido desmoldante

15

18

0,2%

0,07%

Cal

4

18

0,1%

0,02%

Prego

15

18

0,1%

0,03%

MÉDIA PONDERADA PELA CURVA ABC

 

 

 

23,97%

          Utilizando-se uma obra padrão de edificações, cujos pesos estão descritos no quadro anterior, pode-se definir o percentual médio de impostos sobre materiais é de  24,0%.

- TRIBUTOS  SOBRE  A NOTA FISCAL

         É necessário considerar em separado os Tributos sobre a Nota Fiscal, face sua aplicação (sobre o preço final do serviço) e sua relevância no preço dos serviços.

            Sabemos que os Tributos sobre o preço de venda dos serviços somam aproximadamente 9,3%, conforme descrito a seguir:

IMPOSTOS  SOBRE  O  PREÇO  DE  VENDA

DESCRIÇÃO                                          %

                                               ISS - Municipal                                             3  (Cidade do Rio de Janeiro)

                                                                 COFINS - Federal                                              3

                                                                          PIS - Federal                                               0,65

                                                                     CPMF - Federal                                               0,38

                                             I. RENDA PESSOA JURÍDICA                                              1,2  (Lucro Presumido)

                                                      CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL                                            1,08  (Lucro Presumido)

                                                                                     TOTAL                                               9,31%

 - CARGA TRIBUTÁRIA x INFORMALIDADE

Então, a simples análise das estatísticas das empresas que estão operando na informalidade, aproximadamente 55%, demonstra que só é possível à prática de preços vis utilizando-se deste expediente. Quem mais perde é a sociedade, pois, não existe recolhimento dos tributos definidos em leis e conseqüentemente menos recursos para investimentos pelos Governos. E o resultado é a restrição ao lucro nos contratos.

Os órgãos contratantes necessitam utilizar as técnicas da Engenharia de Custos em seus  preços de referência de obras e perceberem que atualmente os prestadores de serviços estão praticando lucros muito baixos, zero ou até negativos, visando unicamente manter-se um pouco mais tempo no mercado!

 É necessário que se entenda que antes da implantação das tabelas de preços dos órgãos oficiais que permitiram estabelecer o preço de referência da licitação as empresas obtinham lucros muito elevados e até abusivos, pois, os contratantes desconheciam a estimativa de custos dos serviços de engenharia.

 

Os  preços  totais  obtidos  através  do emprego de Tabelas Oficiais devem ser  considerados como ESTIMATIVA, não podendo em hipótese alguma, serem definidos   como   valor   máximo  da  obra  ou  de  contratação. Para tanto, é necessário que no BDI se inclua uma Margem de Incerteza (ou Riscos) que deve ser de no mínimo 5% do custo total do empreendimento.

Porém, hoje a realidade é totalmente inversa à característica principal passou a ser o estabelecimento pelos órgãos oficiais da estimativa do valor dos serviços de engenharia. Os preços das obras passaram a ser balizado obrigatoriamente por esta referência, segundo a Lei 8.666/93, das Licitações.

A cada dia e por desconhecimento da boa técnica da Engenharia de Custos estas estimativas passaram a ser muito baixas, no limite e até abaixo do custo das obras. O BDI passou a ter papel fundamental  no cálculo da estimativa de custos e tem sido erroneamente utilizado pelos órgãos contratantes. O lucro dos prestadores de serviços sumiu em virtude dos baixos preços de referência adotados nas licitações, bem como, os descontos imorais ofertados pelos construtores sem ética profissional e aceitos pela administração pública com base no artigo 48 da  Lei das Licitações.

Este engessamento das propostas de preços dos prestadores de serviços de engenharia permitido pela Lei 8.666/93, do preço global e dos preços unitários, é totalmente contrário à boa técnica internacional de elaboração de orçamentos e é condenável, cabendo neste momento de crise institucional da categoria, antes de seu colapso integral, a sua análise acurada e inversão por órgãos contratantes e auditores.

É fundamental a perfeita integração, isto é, uma verdadeira união pela boa prática da Engenharia de Custos, entre todos os intervenientes no processo: prestadores de serviços, órgãos contratantes e auditores, para que o mercado de serviços de engenharia funcione adequadamente.

“O mapa da economia está coberto de áreas, cada vez mais numerosas e maiores, onde não há lucro, zonas de lucratividade zero são os buracos negros do universo empresarial”, segundo Adrian Slywotsky e David Morrison no livro: ARTE DO LUCRO.

A prática do preço vil levou o mercado da engenharia construtiva ao caos financeiro que se constata hoje, onde a poupança das empresas é mínima ou negativa. Assim, impede às empresas decentes a prática da Responsabilidade Social reconhecida em outras áreas da economia.

O mercado de trabalho para os profissionais reduziu muito, a ponto de muitos dos mais experientes terem mudado de atividade em razão da inexistência de boas colocações ou pelos baixos salários e pelas péssimas condições de trabalho propiciadas pelas construtoras. A discussão hoje se dá em torno do Salário Mínimo estabelecido por lei, inclusive para profissionais com experiência, o que é um absurdo.

Portanto, não há critério técnico adequado pelos órgãos auditores ou contratantes e pelas construtoras de se estipular o custo da obra em função de suas características próprias, ou seja, projeto e especificações, localização e condições do edital, muitas vezes pela ausência destes no próprio ato licitatório.

Os projetos anexados aos Editais de Licitações são, geralmente, de péssima qualidade e, portanto, não permitem atingir seu objetivo principal que é, segundo a Lei das Licitações elaborar o “orçamento detalhado do custo global da obra, fundamentado  em quantitativos de serviços e fornecimentos propriamente avaliados”.

É importante que se retome a prática da elaboração do custo dos empreendimentos de engenharia, que é uma ciência, e que se definam seus preços de venda acrescentando a este o lucro desejado pela prestadora de serviço.

Preço de Venda = Custo + Lucro

Para tanto temos que admitir o verdadeiro papel das tabelas oficiais, inclusive criando comissões mistas governo e iniciativa privada de acompanhamento.

Todas as variáveis do custo de uma obra, que é uma ciência e seu valor pode ser  estabelecido com certa margem de segurança, tem que ser calculada obra a obra, assim, o BDI, os Encargos Sociais, os Tributos sobre a Nota Fiscal e até as Composições Unitárias de Custo dos Serviços só podem ser calculadas após análise do edital, do escopo do serviço a ser executado e do conhecimento da região e da localização da obra.

O lucro é um valor aleatório estipulado pela empresa em função do mercado, interesse desta na obra e no próprio cliente.

Devemos considerar em um orçamento, e infelizmente a atual sistemática dos contratantes não deixa espaço para tal nas suas estimativas de custos, a terceirização de serviços (mão de obra e equipamentos), que atualmente é muito comum e que a despeito de conceitos errados que comumente se verifica por parte dos contratantes, não representa redução de custo e sim uma elevação destes e, como os custos unitários das tabelas são genéricos, isto é, não são específicos para a obra em questão, podemos encontrar distorções nos preços dos insumos, produtividades das equipes, tributos, volumes de serviços a serem executados ou de materiais a serem empregados e principalmente no BDI fixado na maioria dos casos sem nenhum critério técnico.

Quem toma conta de toda a cadeia produtiva reduz custos e prazos.

Não somos contrários a que os órgãos contratantes fixem um BDI, já que elaboram uma mera estimativa de custos, porém, para que este seja adequado alguns critérios devem ser considerados, principalmente, o valor da obra. Assim, o BDI deve ser admitido por faixas de valores dos contratos.

Temos que pensar em punição para quem calcule de forma inadequada, baixa ou elevada, as estimativas de custos dos órgãos contratantes ou os orçamentos das propostas das empresas construtoras e o Código de Ética dos profissionais registrados no CONFEA (veja no site www.confea.org.br) permite que tal fato se configure. Em alguns Estados os CREA’s já adotaram esta prática de exigir a ART – Anotação de Responsabilidade Técnica de orçamentistas.

A boa técnica da Engenharia de Custos bem empregada por governos e prestadores de serviços, bem como, seu entendimento e aceitação pelos órgãos auditores, pode salvar a engenharia nacional e a retomada de lucro nas atividades de engenharia, fator preponderante para o progresso de qualquer mercado econômico capitalista.

[i] Paulo Roberto Vilela Dias - pvilela_dias@hotmail.com  - é Engenheiro Civil e Presidente do IBEC – Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos – www.ibec.org.br

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Última modificação: 20 outubro, 2007